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O dia em que Harvard “falhou” comigo

O dia em que Harvard “falhou” comigo

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Como qualquer ser humano do meio acadêmico, sempre tive o sonho de ir a Harvard, mesmo que apenas como turista, afinal é a Meca capitalista do conhecimento. Pois, eis que a vida me levou a pesquisar a obra de um autor (Raimon Panikkar) que, “por acaso”, foi professor da Divinity School (departamento de Religious Studies da famosa universidade). Entrei, portanto, em contato com a biblioteca para agendar uma visita aos arquivos especiais e consegui uma bolsa da minha universidade francesa (haja burocracia!) para ir até lá.

Na véspera da viagem, resolvo entrar no site da biblioteca de Harvard para agendar uma sala de leitura e descubro que estaria fechada durante todo o período da minha estadia, sendo que isso não havia sido informado quando agendei a visita há dois meses atrás. Sim, eles também erram. Não tive como cancelar a viagem, pois ia custar mais caro do que ir, então fui mesmo assim, ainda que bem contrariada.

Ao chegar lá, não pude conter a emoção, realmente é incrível o “poder da grana que”, como diria Caetano Veloso, “ergue e destrói coisas belas”, quando é bem investida. Um bairro inteiro da pequena cidade de Cambridge, dedicado ao conhecimento: prédios, lojas, museus, livrarias, bibliotecas, jardins, tudo respira ciência.

Além disso, tenho percebido em diversas instituições norte-americanas (mais do que nas europeias) um esforço em fazer uma reparação histórica de séculos de racismo e colonização. No Museu de História Natural de Nova York (um dos mais visitados do mundo), uma ala inteira sobre os povos indígenas foi reinaugurada para trazer desta vez a perspectiva desses povos sobre sua própria história. Em Harvard, uma das bibliotecas trazia uma exposição sobre os retratos de “pessoas de cor” que ficaram invisibilizados ao longo da história e, no teatro local, um musical recontava a história da independência norte-americana tendo mulheres e pessoas trans (de todas as cores, idades e corpos) representando todos os papeis, inclusive os dos “pais da Nação”: John Adams, Thomas Jefferson e Benjamin Franklin. Um deleite.

Ao visitar o Centro de Estudos das Religiões do Mundo (CSWR), onde Panikkar vivia, me deparei com uma casa de acomodações simples, mas muito bem-organizada, com um singelo jardim e uma sala de meditação. É um lugar que abriga acadêmicos e acadêmicas que estudam as religiões vindos do mundo inteiro.

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Ao mesmo tempo, no campus principal, havia uma reunião de ex-estudantes da universidade, então eram pessoas de mais de 60 anos (algumas bem mais) caminhando pelo campus com aquele brilho no olhar de quem viveu bons momentos por ali.

Andar pelas ruas de Cambridge e sentir essa presença, esse esforço em provocar encontros e reencontros daqueles que buscam o saber científico, social e espiritual valeu mais do que qualquer documento de arquivos especiais. Me senti, então, acolhida e recebi um e-mail da biblioteca pedindo desculpas pelo ocorrido. Sim, eu te desculpo, Harvard sua linda. Até breve!

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