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Entre diálogos do ensino-pesquisa e religiosidades amazônicas

Entre diálogos do ensino-pesquisa e religiosidades amazônicas
26 de novembro de 2019 Geórgia Pereira Lima

Autazes-AM Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Analisar os diálogos possíveis entre ensino-pesquisa e religiosidades amazônicas no contexto contemporâneo é buscar refletir acerca da formação de professores a partir  de marcos importantes da educação brasileira do segundo quartel do século XX e início do século XXI. Entre outros, podemos assinalar dois marcos históricos do século passado que consideramos base das afirmações para direitos políticos e humanos fundamentais para uma cidadania plena, a) a Constituição Brasileira, 1988; e a Lei de Diretrizes e Base da Educação, 1996. E no início desse século as leis: b) Lei da Liberdade Religiosa, nº 16/2001; Lei 10.639/2003 e Lei 11.645/2008.

A importância assinalada desses marcos se deve à dimensão proposta e assumida pela educação e seus protagonistas, em garantir que a diversidade social brasileira se constituísse através do ensino num expoente das representações e reconhecimento de saberes culturalmente constituídos no espaço escolar.

Nesse sentido, o universo escolar passa ser o centro de reconhecer vozes, histórias e culturas de homens e mulheres, velhos e velhas, adultos, jovens e crianças que permeiam as experiências sociais, políticas, econômicas, sociológicas, antropológicas, mas, principalmente religiosa. Esta última, base de nossas reflexões para o ensino revelam espaços, crenças e saberes religiosas antes negados.

Assim, o campo educacional instituiu a sala de aula como o lócus, onde o encontro de saberes devem ser constituídos como base de legitimidades sociais e ancoradas nos marcos legais para um ensino democrático e cidadão. Implicando para tanto, pensar em propostas de ensino com objetivo de reconhecer nas diversidades religiosas amazônicas a importância de uma educação plural numa dinâmica entre (in)tolerância religiosa e romper com o preconceito cultural religioso ainda presente na sociedade amazônica.

Diante do exposto, pensar o processo de ensino-aprendizagem no campo da formação do(a) professor(a) ares do conhecimento da religião, está intrinsecamente ligado ao amplo e dinâmico meio socioeducacional, articulado por questões sociais do/no entrecruzo sociocultural e tecnológico dos estudantes.

Nesse sentido, é importante ao planejamento administrativo e pedagógico escolar visando à formação e o ensino de Religião partir de questões como: 1) que competências e habilidades devem ser desenvolvidas na formação docente? 2) que método(s) se torna(m) eficaz(es) para desenvolver o domínio do planejamento pedagógico e para incentivar inovações na prática do ensino de religião? 3) como realizar um estudo crítico e avaliativo dos conteúdos das religiosidades amazônicas ensinados? Sobressai daí, pensar a problemática sociocultural da aprendizagem significativa no campo da formação e do ensino de religião ensinada a partir da educação básica.

Desta forma, o desafio da formação docente e do ensino de Religião efetivado numa implementação de um processo articulado entre “Ensino” e a “Pesquisa” como dimensões essencialmente ligadas à formação e às práxis pedagógicas do professor do Ensino Religioso expõem a dimensão de uma educação comprometida com o ensino significativo e inovador de técnicas de aprendizagem na perspectiva do “outro” (Bhabha, 2007).

Ante essa perspectiva, a dimensão prática do “ensino-pesquisa” (FREIRE, 2011) torna a sala de aula como uma “comunidade investigativa” (SPLITTER, 2001) centrada na proposta do “aprender-aprender” (VIGOTSKI, 2001), visando a problemática da aprendizagem significativa para a formação do professor reflexivo (PERRENOURT, 2002) e da religião ensinada no contexto da pesquisa como uma ação-reflexão-ação no ensino.

Assim, as experiências dos encontros de planejamento escolar e pedagógico permitem desenvolver habilidades e competências teórico-metodológicas do “ensino-pesquisa” a partir de linhas de pesquisa que permitam o enfrentamento ao preconceito cultura e religioso que expõem a sociedade amazônica a processos de discriminação e intolerância religiosa. Daí a importância de planejamentos pedagógicos institucionais articulando os fazeres administrativos e pedagógicos para evidenciar um ensino religioso amazônico com respeito a diversidades culturais das Amazônias.

Nesse prisma, o planejamento de pesquisas temáticas como propostas para práticas pedagógicas, visa potencializar o protagonismo acadêmico dos estudantes. Ao articular ensino e pesquisa para a prática pedagógica na educação básica, o planejamento da pesquisa-temática se constitui numa ferramenta de socialização de saberes evidenciados na aprendizagem do aluno-cultura na escola sistema e, ainda, permite uma avaliação crítica das Orientações Curriculares de Ensino em diversas áreas e no campo do ensino das religiões.

Uma vez que teoria e método de conteúdos propostos por áreas de conhecimento afim, entre outras história, geografia, filosofia, sociologia e religião em seu conjunto, evidenciam aprendizagens significativas de aprender: a conhecer, a fazer, conviver e a ser (DELORS, 2003). Contudo, é importante frisar que, desde o planejamento as questões de ensino-aprendizado são pensadas em torno da relação professor-aluno e da relação do conteúdo-motivação para o aprender tendo como bússola os postulados de Vygotski do processo de compreensão da zona de desenvolvimento proximal.

Nesse sentido, o ambiente escolar e a sala de aula constituem lócus integrados do processo ensino-aprendizado mais amplo que articula o “Ensino” e a “Pesquisa” proporcionando uma reflexão da formação acadêmica, político, ético, técnico e, particularmente, em razão das atividades práticas pedagógicas, do empoderamento de conhecimentos teórico-metodológicos dos professores como uma formação continuada de saberes das religiosidades respeitando a diversidade cultural das Amazônias.

O Ensino-pesquisa promove experiências pedagógicas exitosas por possibilitar uma visão ampla da ação didático pedagógica e um posicionamento escolar político (Freire, 2011) e, ou, escolha realizada pelo professor de experiências baseadas em dois elementos: 1) a pesquisa temática para a aprendizagem 2) o planejamento pedagógico do aprendizado com uso de diferentes fontes.

Assim, a prática pedagógica do “aprender-aprender” evidencia-se os conteúdos escolares das diversas disciplinas escolares a partir de um plano de pesquisa articulado no campo da aprendizagem com temáticas relacionadas à diversidade cultural das religiosidades amazônicas.

Sob esse prisma, professor(a), mediador(a) e alunos realizam pesquisas promovendo um “saber fazer” num dinâmico diálogo entre conhecimentos do conteúdo escolar e a religião no complexo contexto histórico-cultural amazônico que reelaborados permitem entrever domínio do “saber conhecer”. Ao socializarem suas experiências de pesquisas em sala de aula numa perspectiva do “saber conviver”, os alunos sob domínio nas releituras de conceitos, expõem o “saber ser” numa forma fundamentada de opiniões expressadas pela compreensão de um ensino que garante na diversidade o respeito e dignidade social, preceitos dos marcos legais para educação brasileira.

Portanto, o trabalho pedagógico pensando a partir da perspectiva pedagógica do “ensino-pesquisa” conduzem a resultados de um saber que permite no diálogo entre diferentes “eu e o outro” (BHABHA, 2003), promovendo o respeito pela diversidade cultual amazônica a partir do processo metodológico do “aprender-aprender” que expõem desafios a escola, ao professor e ao aluno como protagonistas de uma saber religioso inclusivo constituído numa dialógica emancipadora de saberes (Freire, 1987). Assim, sob o enunciado metodológico interativo a dupla relação professor-aluno e aluno-aluno rompem a educação bancária e torna-se elemento articulador integrado de saberes e de unidade da pesquisa na aprendizagem.


REFERÊNCIAS
BHABHA, Homi K. O local da Cultura. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003
DELORS, Jacques. UNESCO, relatório da comissão internacional sobre educação para o século XXI. Unesco no Brasil, 2010.
DUARTE, N. Vigotski e o “aprender a aprender”: crítica às apropriações neoliberais e pós-modernas da teoria vigotskiana. Campinas: Autores Associados, 2001.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2011.
Pedagogia do Oprimido 17ª. ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987;
PERRENAOUT, P. A prática reflexiva no oficio do professor: profissionalização e razão pedagógica. Porto Alegre: Artmed: 2002.
SPLITTER, L. J., CHARP, A. M. Uma nova educação: a comunidade de investigação na sala de aula. São Paulo: Nova Alexandria, 2001.
L. S. Psicologia da pedagogia. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

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