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Referência de judaísmo no norte do Paraná, Beit Tikvá comemora três anos

Referência de judaísmo no norte do Paraná, Beit Tikvá comemora três anos
27 de julho de 2020 Marcio Albino

Créditos Beit_Tikvá

O panorama paranaense é inconfundível. A neblina sobre o verde dos gramados e as remanescentes araucárias compõem o imaginário popular da região. Para alguns conterrâneos, estas árvores exóticas invocam a memória e semelhança de um símbolo ancestral da tradição judaica, a menorá, um candelabro de sete braços.

A pequena e vibrante comunidade judaica em Maringá comemora, neste 7 de julho, os três anos da Associação Israelita Norte-Paranaense, chamada carinhosamente por seus associados de Beit Tikvá, do hebraico, “Casa da Esperança”. Apesar de sua fundação recente, há relatos da presença judaica em Maringá desde antes de sua fundação, em 1947.

Atravessando a terra vermelha

De acordo com pesquisadora da Universidade Estadual de Maringá, doutora Fátima Peres, já na década de 40, se instalaram na cidade o caixeiro-viajante José Martins (judeu espanhol) e sua esposa Vergília Larrat Israel (judia, de origem turca-otomana). Em 1941 o projetista de aeronaves Walter Kreiser (judeu, de origem alemã), como parte do quadro de engenheiros da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), participou da elaboração de um plano urbanístico moderno para a cidade de Maringá e, no ano de 1947, integrou-se definitivamente à população local inaugurando a Padaria e Confeitaria Arco-Íris, na avenida Brasil esquina com a então rua General Câmara (atual rua Basílio Sautchuk), da recém fundada Maringá.

Nas décadas de 60 e 70, tiveram destaques as famílias do médico Aron Galperin (judeu, de origem portuguesa) e do mecânico ferroviário Natan Pinto (judeu, de origem hispano-marroquino).

“O judaísmo era vivenciado nos lares das famílias judias da região, mas não havia quórum suficiente para uma comunidade organizada. Aos poucos, algumas destas famílias foram se aproximando nos últimos anos, de diversas cidades do interior no Paraná, e assim foi consolidada a Beit Tikvá”, conta Alexandre Israel-Pinto, foi diretor executivo (gestão 2017-2020) da Associação Israelita Norte Paranaense.

Créditos Beit_Tikvá

Tradição ancestral. Desafios contemporâneos.

A Beit Tikvá participa do Grupo de Diálogo Inter-religioso de Maringá (GDI) e preza por um judaísmo inclusivo, pluralista e igualitário. Organiza estudos, propõe vivência judaica por meio das festas e cerimônias, oferece experiência comunitária e também acolhida para judeus e judias que vivem ou estejam de passagem, além de promover cultura judaica para pessoas interessadas em conhecer mais.

A Associação Israelita Norte Paranaense é reconhecida pela Federação Israelita do Paraná e recebe apoio de voluntários da União do Judaísmo Reformista – América Latina (UJR-AmLat), do Keren Kayemet LeIsrael (KKL-Brasil) e do Hashomer Hatzair (Movimento Juvenil).

O rabino norte-americano

Joseph A. Edelheit é professor emérito de Estudos Judaicos e Religiosos da St. Cloud State University (EUA), foi rabino sênior do Temple Israel em Minneapolis (EUA) e ficou conhecido mundialmente por sua luta pelos Direitos Humanos e por trabalhos realizados com pessoas que vivem com HIV, especialmente na Índia, tendo sido assessor do presidente estadunidense Bill Clinton para essa temática.

Na tradição judaica, o rabino é um professor, não um sacerdote. Rabino Joseph, como é chamado, tem partilhado sua riquíssima experiência e conhecimentos na construção da crescente comunidade judaica de Maringá, servindo como seu rabino. “O nome Beit Tikvá foi sugestão dele, uma casa de esperança para a memória e cultura judaica na região”, diz Alexandre.

 

Créditos Beit_Tikvá

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