Não é possível pensar o campo religioso afro-brasileiro de forma homogênea, de modo que não há um pensamento único sobre os direitos reprodutivos da mulher.
Candomblé
O que você tem é casta maligna e só sai com jejum e oração. Essa foi a sentença que ouvi de um pastor evangélico após confidenciar minha predileção afetiva por mulheres.
Os terreiros, sabida e sabiamente, acolheram e acolhem historicamente homens e mulheres LGBTQIA+
A tentativa de silenciar os tambores e os seus ecos demonstra o quanto os sentidos negros devem ser, em nome desse desejo centralizador, interrompidos para que se garanta uma ordem genocida.
A diáspora africana conseguiu organizar a formação de comunidades religiosas a partir de denominações — as diversas ‘nações’ do Candomblé — que serviam para refletir as múltiplas identidades étnicas e as maneiras que elas encontraram de se congregar ou de se diferenciar.
Há um espaço restrito aos iniciados para dispor as paramentas (vestimentas dos orixás e contas) e objetos sagrados e uma sala de consulta.
No candomblé, o conceito de sagrado vem a coincidir com aquele de aṣẹ (axé), a força que constitui a base da vida, em seus diferentes prismas e formas, uma vida de “fluxos” em contínuo movimento.
É possível dizer que as epistemologias afrocentradas se estruturam, entre outros fatores, na compreensão refinada sobre o contexto e, mais, na análise crítica e ativa que tenciona desmantelar as supostas cosmovisões hegemônicas.
O fetiche, entre outros aspectos, anuncia o desejo constituído pelas narrativas hegemônicas e que, de modos múltiplos, sutis e refinados, mantém as cenas sociais, afetivas, políticas, religiosas etc. “ordenadas”.
Pensar o racismo é considerar a existência de uma estrutura que tece, de modo profundamente violento, as nossas relações. O apego à raça está embebido pelo desejo destrutivo contra os que são marcados como os outros.