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“SE ESSA RUA FOSSE MINHA” … Eu mandava RETIRAR todas as pedrinhas para que todas as religiões pudessem passar

“SE ESSA RUA FOSSE MINHA” … Eu mandava RETIRAR todas as pedrinhas para que todas as religiões pudessem passar

Cresci cantando essa música e imaginando como seria “decorar” todas as ruas para que pessoas de bem e que amamos pudessem nelas passar. Seria um estender de tapetes vermelhos.

Mas a realidade me mostrou que nem tudo que sonhamos acontece.

Que um simples ato de cultuar de forma diferente um Deus nominado de forma diferente, pode causar discriminação, perseguição, apedrejamento. Tai o motivo que eu retiraria as “pedrinhas se a rua fosse minha”.

“A Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pelos 58 estados membros conjunto das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, no Palais de Chaillot em Paris (França), definia a liberdade de religião e de opinião no seu artigo 18, citando que “Todo o homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião”. Os artigos 19 e 20 estão associados à liberdade religiosa conhecida internacionalmente pela sigla (FoRB – Freedom of Religion or Belief (liberdade de religião ou crença).”

Em nossa constituição de 88 em seu artigo 5º da igualdade a todos (“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:) em seu parágrafo 6º diz da liberdade religiosa (“VI – e inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”).

Me parece que é ficar “chovendo no molhado” repetir o que está escrito na Declaração de Direitos Humanos ou na Carta Magna de nosso pais, mas é que não vejo isso acontecer. Pelo contrário, o que vejo é Kailane de 11 anos, sendo apedrejada pelo simples fato de estar vestindo sua roupa de candomblé. Quantos por vestirem ternos, gola de padre ou batina vocês já viram ser apedrejados?

Quantos pastores, padres, sacerdotes budistas, presidentes de centros kardecistas, vocês já viram ser obrigados a destruir seus sagrados ou mesmo viram suas casas apedrejadas ou incendiadas? Mas segundo o Ministério de Direitos Humanos do governo federal as denúncias (e muitas delas não são feitas por não vermos real vontade de se apurar pelos órgãos de Segurança Pública) nesses últimos cinco anos cresceram 3.706%, sim mais de 27 casos por dia.

A violência física, material feita por alguns adeptos do Neo Pentecostalismo sem dúvida é maior contra as religiões de matrizes africanas, mas muito maior seria se pudéssemos também contar a violência psíquica, verbal. Quem é que já foi num culto cristão que não usaram a “macumba” como ato diabólico?

É preciso repensar nossas religiões, por que elas nos afastam do ensinamento verdadeiro daqueles que foram inspiração para a criação dessas, que chamamos de religião. O Cristo ensinou amor, perdão, será que é isso que praticam os cristãos quando perseguem aqueles que não são cristão ou não tem a bíblia como livro inspirador?? E os mulçumanos seguem realmente o que fala Javé, Alá ou Abraão?

E ai fico mais instigado quando percebo que as religiões espiritualistas são as mais perseguidas e em contrapartida a que menos descriminam ou recusam as outras religiões.

Todos sabem que sou candomblecista, e em casas (Ilês) que participo o que mais se vê é pessoas de outras religiões, e são tratadas com todo respeito, as vezes até mais bem tratadas que os adeptos das religiões de matrizes africanas.

E aí me levo a pensar, e os ateus e agnósticos? Nossa!!!! esses dariam para discorrer uma tese monográfica sobre a discriminação que sofrem, por apenas divergir na crença ou pelo simples fato de não crerem.

Precisamos, incansavelmente, todos os dias continuar denunciando os abusos ou descriminações. Precisamos tomar atitudes reais de combate a intolerância. Precisamos nos unir em prol de uma sociedade que não descrimina e persegue os diferentes.

Se você tivesse o poder de “ladrilhar a rua” que tipo de rua você faria para as pessoas que não pensam ou creem como você ??

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SE ESSA RUA FOSSE MINHA TODOS PODERIAM PASSAR, CULTUAR, VESTIR COMO QUEREM, ACREDITAM E CULTUAM.

SE ESSA RUA FOSSE MINHA TODOS NELA SERIAM TRATADOS IGUAIS.

SE ESSA RUA FOSSE MINHA…

EU LUTARIA PARA QUE FOSSE NOSSA, SEM DISTINÇÃO, LIVRE.

Comece agora a mudar você, sua rua, depois seu bairro, sua cidade, seu estado, seu pais, o mundo. E transforme. Se cada um fizer a sua parte, poderemos a voltar a cantar: Se essa rua fosse minha, eu mandava ladrilhar, com pedrinha de brilhante, para que TODOS pudessem passar.

Quero parabenizar a todos que sonharam a Revista Senso, que colaboram com ela, que a lê e divulga, pelo merecido “PRÊMIO MINEIRO DE DIREITOS HUMANOS EDIÇÃO 2017 na categoria COLETIVOS DE COMUNICAÇÃO”. Essa é a prova concreta que bons sonhos podem se tornar em maravilhosas realidades, e que TER UMA RUA DE PEDRINHA BRILHANTES é possível.

A todos o meu abraço, meus votos de que muitos outros prêmios possam ser conseguidos, e a declaração sincera de que me orgulho muito por estar presente na reunião que surge a Senso e hoje fazer parte dessa equipe. Parabéns e gratidão.