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Editorial 17º Edição

Editorial 17º Edição
15 de julho de 2020 Jonathan Felix

Queridas (os) Leitoras (es),

A nossa 17º Edição traz como tema “Teologias da Libertação”. Inicialmente, quando compartilhamos com pessoas próximas sobre a proposta temática, alguns nos questionaram sobre os motivos de nossa equipe colocar no centro do debate um tema teológico em uma revista das Ciências da Religião.

O tempo que vivemos exige escolhas e recortes estratégicos para compreender o fenômeno religioso. Sabemos que, no Brasil, vivemos uma disputa pela narrativa teológica e, ao mesmo tempo, uma sequência de tentativas fundamentalistas colocam em xeque o nosso Estado Laico. Alguns grupos, tentam também enfraquecer modelos teológicos que respeitam, dialogam e criam estratégias de respeito as diversas formas de crer e ser.

Todo esse cenário nos levou a optar por apresentar um modelo teológico que pudesse oferecer às pessoas um debate qualificado e de alto nível, que além de compreender as diversas formas de crer e não crer, possibilite concretamente elementos para construção de pontes de diálogo, superação de intolerâncias e construção de uma cultura de paz.

A edição quer contribuir para retomar e aprofundar as atuais discussões sobre Teologias da Libertação na sociedade e na caminhada das comunidades. Ver a relação entre essas Teologias e as Ciências da Religião, assim como o lugar dessas Teologias nas lutas de resistência dos nossos povos e os avanços pode nos apontar para um outro mundo possível.

Como em toda edição, partimos de um olhar histórico para buscar elementos para compreensão do fenômeno. O primeiro texto é da nossa colunista Renata Andrade, mestra e historiadora, que nos ajuda a se situar na história da América Latina, identificar os elementos de violência, injustiças, pobreza e profunda desigualdade, que são frutos da exploração europeia de nosso território e dos povos originais.

O segundo texto é talvez um dos mais provocadores, pois coloca um dos grandes teólogos da Teologia da Libertação e um Cientista da Religião em uma conversa intergeracional e entre áreas. O artigo é um convite para um caminho comum, levantando possibilidades de diálogos e interações entre as Teologias da Libertação e as Ciências da Religião.

Em seguida temos o texto de Gilbraz Aragão, professor no campo dos estudos de religião na Universidade Católica de Pernambuco, apresenta a relação das Teologias da Libertação com os Movimentos Sociais, e aponta apresenta elementos para uma lógica de complexidade, transdisciplinar e transreligiosa.

O texto subsequente é de Pedro Ribeiro, doutor em sociologia, que apresenta a relação entre “Fé e Política” em um Estado Laico, ou seja, a incidência política da fé cristã na contemporaneidade. O autor também apresenta o Movimento Nacional Fé e Política, criado em 1989, que atuam em  “movimentos sociais, organizações populares ou partidos políticos” e  “assumem a causa dos pobres, dos oprimidos e dos excluídos”.

Claudio de Oliveira Ribeiro, teólogo metodista, doutor pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, apresenta a relação explosiva entre libertação e pluralismo e os desafios para a Teologia da Libertação, bem como os três aspectos que têm mobilizado a atenção de teólogos e de teólogas: (1) a tarefa de alargamento metodológico e de atualização nas formas de compreensão da realidade; (2) à emergência das subjetividades na atualidade; e (3) encontros e desencontros da teologia com a pluralidade.

Em seguida temos o artigo “Teologia queer – O necessário indecentamento da teologia” de André S. Musskopf (Doutor e Mestre em Teologia) e Ana Ester de Pádua Freire (Teóloga e Doutora em Ciências da Religião). O texticulo é provocativo e apresenta uma pau-ta indecente e urgente que desnuda “os pressupostos heterossexuais da Teologia da Libertação e as fixações heterossexuais de algumas teologias feministas”.

O texto subsequente é da Rosemary Fernandes da Costa, doutora em teologia, que apresenta mistagogia como algo central para a experiência pessoal, um a grande revolução, que segundo a teóloga. Um processo dinâmico que “nos fala da alteridade radical de um Mistério que se autocomunica na mais plena amorosidade, mas também na mais absoluta liberdade”.

Em sequência o Edward Guimarães, teólogo e doutor em Ciências da Religião, apresenta o método pedagógico heurístico libertador e o desafio crucial de cuidar dos processos de ensino-aprendizagem na complexa sociedade contemporânea.

O texto em sequência é  de Celso Pinto Carias que lança uma olhar sobre Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), como um fenômeno social, que é parte de um processo fundamentalmente eclesial, caracterizado por três eixos principais: (1) à participação dos fiéis na estrutura de decisão, na Igreja Católica; (2)  uma espiritualidade de seguimento de Jesus Cristo, que se expressa nas diversas dimensões simbólicas; e (3)  a inserção forte na realidade política e social em perspectiva da construção de um mundo mais justo e solidário.

Os dois textos finais apresentam a herdeira da Ação Católica, a Pastoral da Juventude, que celebra durante este na seus 50 anos das suas primeiras articulações.  Vinicius Borges (Doutorando e Mestre em Comunicação) e Joilson de Souza (Teólogo e Mestre em Ciências da Religião) apresentam as faces jovens da Teologia da Libertação e a Sarah Suzan da Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude, a Campanha Nacional de Enfrentamento aos Ciclos de Violência Contra a Mulher, lançada em 2017.

A indicação nessa edição é da entrevista realizada pelo Professor Flávio Senra no programa Religare sobre o livro Teologias da Libertação para os nossos dias do Monge Marcelo Barros. O autor Leonardo Boff, que prefaciou a obra, ao comentar sobre o livro relata que “talvez no conjunto dos muitos livros que se escreveram sobre a Teologia da Libertação, este seja o mais compreensível por todos, o mais completo por abordar os principais temas e desafios deste tipo de teologia, usando os recursos de informações históricas com surpreendentes detalhes,  da literatura, da poesia, do cinema, das letras dos cânticos das comunidades e da música popular brasileira. Aborda as principais expressões desta teologia, no seu aspecto de libertação da opressão, de certo tipo de religiões e de igrejas, dos negros, dos indígenas, das mulheres, de outra condição sexual, da ecologia, do ecumenismo e até chega a propor uma Teologia Pluralista Mundial de Libertação.”

Boa leitura!

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