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Editorial 15ª Edição

Editorial 15ª Edição
18 de março de 2020 Thiago Teixeira

As discussões antirracistas se intensificam e, de modo profundo, implodem as engrenagens de subalternização que foram forjadas contra os corpos negros. Colocar em evidência a marginalização que compõe a engenharia social, epistêmica, estética, política e, como objeto de nossas investigações, religiosa, faz com que nós estejamos atentos e atentas aos processos de desumanização que se intensificam para destruir os sujeitos negros.

Colocar o dedo nessa ferida, isto é, do racismo enquanto um dos componentes estruturantes da nossa cultura, faz com que nós possamos nomear, dar rosto e, por consequência, demolir as ações, os valores e as percepções que articulam a realidade entre nós e os outros, o sujeito e o objeto, o legítimo e o ilegítimo, sobretudo, através do dispositivo racial. A nossa intenção está — como aponta Sueli Carneiro em seu texto Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil — na construção de novas narrativas e cosmovisões destinadas a “combater a ascensão de ideologias intolerantes em nosso país”.

A construção do imaginário subalterno e, mais, as descrições, marcações e violências que circunscrevem a existência de sujeitos negros, no Brasil, é refutada no caminho que você, prezada leitora e prezado leitor, percorrerá.

Se “o racismo está baseado na premissa de que as raças humanas não possuem o mesmo valor”, como demonstra Adilson Moreira em sua obra Racismo recreativo,  nós tencionamos desarticular essa hierarquização e, mais, anunciar uma profunda riqueza de produções, compreensões e práticas ancestrais que demarcam a complexidade inerente às tradições de matrizes africanas e à experiência do povo negro que rompe, de forma política, epistêmica e religiosa, com as insígnias de colonização.

Denunciar o racismo religioso enquanto tecnologia de destruição, como um sonar que é ativado quando se escuta um atabaque ou quando se vê uma divindade que dança e, ao mesmo tempo, emana o seu axé, faz parte de uma nova anunciação, uma ampliação dos quadros referenciais sobre o que pode ser reconhecido enquanto o vivível. Esse número propõe uma crítica certeira, como uma flecha de Oxóssi, contra o imaginário social fabricado para expropriar a ancestralidade, a experiência de fé e a própria existência das pessoas negras. Trata-se de um percurso ético, uma oportunidade de construir uma política exuística, ou seja, um espaço de diálogo, de encontro e de troca junta e recíproca.

Boa leitura!

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