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Quando a religião é vírus

Quando a religião é vírus
29 de março de 2020 Sandson Rotterdan

Estamos vivendo um acontecimento histórico único para nossa geração. Com todo o avanço das ciências da natureza (biologia, medicina, física, engenharia), um vírus nos faz ficar reclusos para não nos infectar com um inimigo invisível que, se pouco mortal, bastante incômodo.

Entre as diversas versões sobre a melhor fórmula de nos resguardar do contágio, as religiões não perdem sua força. Na verdade, em alguma medida, parece que ganham ainda mais força em uma sociedade com mais de 90% da população crente.

Algo que os que são contra ou a favor do isolamento social concordam, é que o tempo que estamos, uma das formas eficazes de não se infectar é evitar aglomerações. No entanto, algumas igrejas, em seu lobby político, tem insistido em chamar seus fieis ao culto, como se, o fato de você ser crente em algum Deus, no caso de que trato aqui, o Deus cristão, fizesse de você imune ao vírus que nos ameaça.

O problema é que muitas pessoas, não se sabe o motivo, dão credibilidade a esses discursos e, negando o mal que pode causar o vírus, saem de suas casas, se aglomeram em Igrejas, cultuam seu Deus, acreditando em uma imunidade dada por um Deus infantil e com pequena auto estima que gosta que seus fieis a todo tempo demonstrem amor a ele. Esse Deus infantil e de baixa auto estima socorreria somente aqueles que satisfazem seu desejo narcísico.

Talvez o problema não seja Deus, talvez o narcísico não seja ele, mas pessoas que o usam para a satisfação de sua fé narcísica e infantil. Essas pessoas fazem da religião esse vírus narcísico, que pode levar pessoas à morte. Líderes religiosos têm se portado como crianças birrentas, que tentam a todo o tempo manipular as regras para terem suas vontades satisfeitas e os cofres de suas igrejas cheios.

Contudo, nem todas as religiões são disseminadoras desse vírus. Pessoas sensatas no cristianismo, nas religiões afrobrasileiras têm mostrado sensatez ao defender que é tempo de cuidar da vida, de preservar a saúde.
Permitam-me, falar, também, o teólogo cristão católico: quando vi cristãos dizendo que não poderíamos fechar as Igrejas para não privar os fieis católicos da graça do sacramento, fiquei pensando na conversa de Jesus com a Samaritana. A adoração a Deus não está circunscrita a um lugar geográfico. Cada ser humano é templo, onde se pode cultuar em espírito e em verdade. Não estou aqui negando a teologia dos sacramentos, mas defendendo a vida.

Às vezes é importante nos imunizar contra a religião. Contra uma religião centrada em líderes com egos tão frágeis que, para realizarem seus ministérios, precisam colocar a vida das pessoas em risco. Ainda bem que existe, na própria religião anticorpos. Que eles consigam vencer o vírus da exploração da vida e das pessoas em nome de Deus.

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