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Conversas por E-mail – Diálogo Intergeracional

Conversas por E-mail – Diálogo Intergeracional
30 de outubro de 2017 Jonathan Félix e Marcelo Barros

O diálogo abaixo faz parte de uma serie de e-mails trocados entre o Monge Marcelo Barros e o Jonathan Félix sobre os desafios da tradição e o dialogo entre jovens e adultos.  Como os mais velhos podem transmitir a religião aos mais jovens sem colocar-se como tutores? Quais os desafios do mundo contemporâneo? Essas são algumas questões abordadas no diálogo. 

Foto: Dan Grinwis

Jonathan – 13/09/2017

Mano Marcelo, quando te conheci no I Encontro de Juventudes e Espiritualidade Libertadora ganhei um amigo, posso dizer que foi um encontro de almas, um companheiro de jornada. Você, com muito cuidado e delicadeza, me ajudou a compreender e avançar no caminho de uma pessoa livre e libertadora.

Algumas coisas têm me inquietado nessa jornada, sempre ouvi que a juventude deveria ser protagonista. O termo parece até bonito, libertador, mas eu tenho discordado, pois esse incentivo todo de protagonismo me ligou aos termos do teatro. O protagonista não é alguém que escreve a história, pelo contrário, ele executa o papel que foi determinado. Eu acredito que deveríamos incentivar as pessoas a serem autoras/es de sua história, sem desempenhar papel pré-estabelecidos. O que você acha disso? Qual o desafio das lideranças religiosas, padres, pastores de ser ponte e não fazer religião no lugar da juventude?

Marcelo – 13/09/2017

Jon, querido mano,

Eu poderia dizer o mesmo. Conhecer você e se tornar seu amigo foi uma graça divina. De fato, foi o meu convite para que você participasse do diálogo que deu origem ao comentário sobre Marcos que possibilitou o aprofundamento da amizade. Nela, eu precisei aprender a entrar nesse processo a que você se refere de dar vez e voz ao outro.
Penso que o empoderamento da juventude se dá em um processo dialético. É claro que ninguém dá poder a ninguém. Se conquista e a gente reconhece e participa desse processo.

De fato, no caso das Igrejas, o clericalismo é uma doença e torna mais difícil esse processo de empoderamento. A linguagem do protagonismo é ambígua. De um lado, me parece que como passo tem sido importante para jogar a juventude na dianteira da vida. Existem vários modos e estilos de protagonismo – como você diz – o teatral é um. O protagonismo político tem histórias de participação forte e igualitária. Como na questão do paradigma ecológico, não se trata de mudar de um centro para outro – antes era o adulto educador – agora é o jovem… Isso ainda mantém o modelo que deveria mudar. O modelo novo seria abolir a hierarquia de um centro e uma periferia. Paulo Freire já insistia: “ninguém educa ninguém. Ninguém se educa sozinho. A gente se educa uns aos outros e em diálogo.” Mas isso supõe um processo de vida e de interação.

Atualmente, com a rapidez de mudanças que se realizam no mundo e o acúmulo de informações, a distância ou diferença entre uma geração e outra se torna muito maior do que há trinta ou quarenta anos atrás. E aí um diálogo efetivo, profundo e transformador se torna mais exigente, mais difícil. São mundos diferentes que têm de se encontrar e se colocar em relação.

Jonathan – 14/09/2017

Com essa rapidez, boa parte das relações ficam superficiais. É isso que essa Era da Informação tem proporcionado. Quando você diz que esses mundos precisam se encontrar e relacionar-se, eu me recordo de um dos episódios que pediram para Dom Hélder deixar uma mensagem para os/as jovens, e ele disse: “Mensagem é uma palavra ambígua porque quem manda mensagem não está presente, eu quero é estar junto com vocês.”.

O grande desafio que temos é de recuperar o aspecto comunitário de fazer juntos, cuidar uns dos outros e não ficar mandando mensagem. A individualidade tem sido algo acentuado na nossa época e parece que isso tem contaminado todas as relações, do mais velho ao mais novo. Para nós, mais jovens, precisamos entender que não se faz o presente, sem dialogar com a história, com a experiência e que às vezes precisamos parar. Por sua vez, os mais velhos precisam compreender que não há continuidade histórica se nós não confiarmos na capacidade de inovar e ultrapassar barreiras do tempo. De superar as coisas que já estão estabelecidas.

E aí, precisamos superar nosso individualismo?

Vamos nos falando…. Beijão!

Marcelo – 14/09/2017

Jon, querido!

O desafio, tanto para a juventude, como para adultos e mais velhos está no diálogo profundo. Ele só ocorre quando aceitamos sair de nós mesmos e nos abrir ao outro. Consiste, também, em ir além da zona de segurança pessoal e nos perder no ouro. Algo que é um milagre que só o amor é capaz de fazer. E aí é importante que formas imediatas de amor (que são válidas e boas como o amor sexual ou simplesmente a paquera) não encham tanto a sala que impeçam o florescimento de formas mais profundas e exigentes, mas fundamentais para um diálogo gratuito e não interesseiro.

A sociedade atual considera a amizade como algo meio sem importância que se dá naturalmente e é menos importante do que o amor conjugal, por exemplo. Penso que um diálogo mais profundo,  como é o caso do intergeneracional,  necessita que se resgate a importância das diversas formas de amor se irem unificando — sem que um seja mais importante do que o outro — em uma espécie de circularidade e complementariedade que faz bem a um lado e ao outro.
Pelo momento é isso.

Vamos continuar conversando. Um beijão.

Jonathan – 20/09/2017

Mano Marcelo, que diálogo gostoso! O que você disse me toca e faz pensar na profundidade das nossas relações, pois é impossível criar um laço profundo e duradouro sem amor. É preciso disposição, tempo e partilha sincera da vida. Coisa que muitos jovens e adultos não estão dispostos. Por um lado, nós jovens super conectados com o mundo digital, apressados e pouco olho no olho. Por outro, os adultos com ideias formadas e pouca abertura para o diálogo.

Às vezes tenho a impressão de que as nossas comunidades viraram empresas, onde as relações são superficiais ou vulgasses. Nos encontramos para reuniões, alinhamento de agendas, escolha de prioridades, gestão financeira e missas longas. Contudo, não temos tempo para dialogar sobre o que sentimentos, sobre quem somos ou a respeito dos nossos sonhos e etc.

Já vamos para esses lugares com agendas e normalmente o padre já tem uma missa em seguida, tendo pouca vivência comunitária. Não quero jogar a culpa aqui para o padre ou qualquer outra pessoa, mas entrar na dimensão da vivencia comunitária e na continuidade da tradição.

No livro que você escreveu sobre a vida de Dom Helder você diz que ele compreendia que “qualquer que seja o compromisso pastoral e educacional a base é firmar uma relação de convivência e amizade. ” Parece que nossas comunidades estão perdidas e baseadas na relação empresarial de apenas comprimir metas e agendas. Geralmente impostas pelo clero, faz sentido?

Marcelo – 20/09/2017

Jon querido,

O papa Francisco tem insistido de que as paróquias não sejam meros escritórios de uma empresa e toda a Igreja seja “em saída”. Isso significa mais do que simplesmente uma Igreja voltada para os contatos e trabalhos externos. É uma Igreja espiritualmente centrada não em si mesma e sim no outro, no diferente. A própria revelação divina não se atualiza para nós através de nós mesmos. Nunca. Ela se atualiza sempre quando nos abrimos amorosamente ao outro, ao diferente.

No século VI,  Bento de Núrcia, patriarca dos monges no Ocidente, escrevia em sua regra para os mosteiros que para seguir o evangelho é preciso abrirmos ao outro “o ouvido do coração”. (Assim como temos ouvidos externos, temos também um ouvido interior. Esse ouvido é o que possibilita a escuta no mais profundo de nós e não apenas ouvir exteriormente). Claro também que esse outro não é somente uma pessoa, mas sim uma comunidade, um grupo de outra cultura, ou outra religião…

Você toca na questão de como, atualmente, em nosso redor, no mundo e mesmo nas Igrejas, predomina uma relação de eficácia e produção e não uma relação amorosa e mais gratuita. Na minha época de jovem (anos 60), o psicólogo e pensador norte-americano Eric Fromm publicou um dos seus livros clássicos: “A arte de amar”. Ali o autor nos mostrava que, comumente, se pensa que amar é algo espontâneo e mesmo instintivo. Claro que existe essa forma natural do amar, sem dúvida, marcada pela dimensão erótica, pela atração física e pela paixão. E isso é bom e positivo. Sempre recordo com alegria que na mitologia grega, Eros é um deus, filho da deusa Afrodite (Vênus) e é belíssimo. É isso mesmo. Essa forma de amar é bela e maravilhosa e todo mundo é chamado a viver o amor a partir dessa experiência.

Mas, na mitologia que é simbólica, Eros se casa com Psiché, a alma (ou o ânimus), o mais íntimo do ser. A nossa grande poetisa mineira Adélia Prado diz com razão: “erótica é a alma” (portanto, não é apenas nem, sobretudo, o corpo).

Penso que esse casamento se dá na realidade nossa de cada dia quando somos capazes de integrar a paixão, a atração em uma forma de amor maior ou mais fundo. Tal integração seria uma espécie de bem-querer generoso e oblativo que me possibilita sair de mim (no eros a gente quer o outro para si  — não é um amor egoísta porque se fosse não seria amor — mas é sim egóico). E essa saída de mim para o outro (philia) se desdobra e se canaliza na direção de uma amorosidade mais total: o Novo Testamento grego o chama de agapé e diz que é divino (Deus é esse Amor).

Na arte latino-americana temos o clássico Gracias à la Vida da maravilhosa Violeta Parra, cantora chilena que marcou época nos anos 70. Ela cantava “Graças à Vida que me deu tanto e me deu você”. E de forma poética ela expressa uma coisa muito profunda: diz em outras palavras: “Por ver teus olhos que eu amo, passo a amar o olhar de todas as pessoas. Por ouvir teus passos que eu amo, passo a amar os passos de toda a humanidade”. Em síntese: por amar a ti, eu passo a ser amorosa com todo mundo. Isso é o contrário de algumas canções do velho cancioneiro popular brasileiro que cantava: “Quero viver com você em uma cabana isolada em alguma montanha distante do mundo” ou “Tenho ciúme até da camisa que você veste”. Na canção de Violeta Parra, o amor nos torna amáveis e amorosa com todos.

O que a arte da sua geração diz sobre as relações? Sobre o amor?

Jonathan – 20/09/2017

Temos cantores belíssimos como o jovem Tiago Iorque, que nos chama atenção e nos leva a prestar atenção nas nossas relações: “Se alguém, já lhe deu a mão, e não pediu mais nada em troca, pense bem, pois é um dia especial. ” (Música Dia Especial). A Ana Vilela que apresenta a vida como o Trem Bala: “Segura teu filho no colo, Sorria e abraça os teus pais enquanto estão aqui, Que a vida é trem-bala parceiro, E a gente é só passageiro prestes a partir”.  Músicas que questionam as formas de amor impostas pela sociedade e tradições, trazem liberdade e marca as diversas formas de ser e amar: “O que vão dizer de nós? / Seus pais, Deus e coisas tais / Quando ouvirem rumores do nosso amor / Baby, eu já cansei de me esconder / Entre olhares, sussurros com você / Somos dois homens e nada mais” (Flutua, Liniker e Johnny Hooker)

Essa era da modernidade, mesmo possibilitando múltiplas vozes e escolhas, acentuou também o aspecto individualista do amor, principalmente em canções do sertanejo.  Veja essa do Henrique e Juliano, que chama Vidinha de Balada: “Vai namorar comigo, sim! / Vai por mim, igual nós dois não tem / Se reclamar, cê vai casar também /Com comunhão de bens /Seu coração é meu e o meu é seu também”.  E são várias letras que refletem um aspecto dominador das relações e não seria diferente no âmbito politico.

Marcelo – 21/09/2017

É essa a questão. Infelizmente existe uma política, mesmo de esquerda, que é luta pelo poder e parece até rancorosa e odienta. Ao contrário, o meu saudoso amigo, o presidente Hugo Chávez me dizia: “Marcelo, a verdadeira política revolucionária só se faz com amor”. Do mesmo modo, no campo religioso, será que os religiosos e religiosas que conhecemos nas Igrejas e em outras religiões são pessoas verdadeiramente amorosas? Infelizmente, as religiões ainda não educam as pessoas para isso. E se não somos educados nessa arte (Como dizia Eric Fromm, nessa arte de amar que temos de aprender, de suar para viver e principalmente de optar por viver como caminho e estilo de vida).

Creio que você vive isso — já por seu temperamento e seu jeito de ser —, mas também pelo fato de ter cada dia mais se aberto a esse caminho de aprendizado. Talvez possamos conversar mais sobre as dificuldades nesse caminho.

Eu que estou nesse caminho ou processo de aprendizado há muitos anos sempre de novo aprendo com vocês.

Uma pergunta me parece importante: o que cada geração aprende ou pode aprender no diálogo com a outra?

Continuemos esse diálogo que já é uma expressão desse aprendizado de amor. Abraço.

 Jonathan – 29/09/2017

Acredito que o diálogo se apresenta como uma forma da gente construir, coletivamente, uma nova forma de sociedade. Todos nós falamos muito, não é mesmo? O povo hoje está sedento de falar, isso também é resultado de uma sociedade que dá pouca voz para as minorias.

O diálogo nos ajuda no processo de amadurecimento, recuperar o aspecto comunitário do cuidado (com a gente, com o outro e com a natureza), a resolver problemas e encontrar soluções juntos. Perceber que sozinhos não vamos muito longe, mas juntos podemos revolucionar esse sistema.

Uma vez escutei do Padre Domingos Cunha, que trabalha com o eneagrama que a diferença entre uma pessoa imatura e uma pessoa madura, é que a primeira vive dominada por seus mecanismos inconscientes, enquanto a segunda tem consciência deles e saber lidar com eles, de forma livre. E nisso ele completa: “Aquele que vê o mundo aos cinquenta anos, da mesma forma que o via aos vinte, desperdiçou trinta anos da sua vida”

Esse processo de diálogo, nos ajuda perceber que somos luz e sombras, que temos ambiguidades e que só nos tornaremos melhores quando nos colocarmos no caminho da escutatoria.

Esse é o grande desafio: aprender a ouvir. É como dizia o saudoso Rubens Alves: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil…”

De certa forma, estamos tentando fazer esse curso que o Rubens Alves propôs no dia-a-dia. Fizemos essa experiência no II Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora, com uma pluralidade de gerações e crenças. Rodas de trocas de saberes entre jovens e adultos, celebrações. Fazemos isso também nos nossos encontros ecumênicos, inter-religiosos e em alguns movimentos sociais.

Acredito que o grande aprendizado nesse diálogo é a gente perceber que a Terra Sem Males, o Outro Mundo possível, a Cultura do Bem-Viver, só será construída se fizermos juntos!

Marcelo – 29/09/2017

Pois é, Jon, querido, pessoalmente estou convencido de que o que nos torna plenamente humanos é o diálogo. Se o ser humano se caracteriza pela relação e essa se dá plenamente pela palavra — quando a nossa palavra se torna diálogo, como diz o evangelho, a Palavra se faz carne e arma sua tenda em nós e entre nós (Jo 1, 14). Isso é o diálogo.

Para mim, ainda é um mistério esse caminho no qual diálogo significa entrar no logos do outro, do diferente (no grego, dia – logos). O logos não é apenas o discurso, é a compreensão da vida, a cultura, o modo de ver o mundo e de ser no mundo. Portanto é a palavra interiorizada — a palavra mais íntima do ser — e ali a gente se insere como se fosse descalço, sempre pedindo licença e de mansinho, mas ao mesmo tempo, não deixa de ser uma penetração — desculpe se uso o termo usado na relação sexual.

E essa interjunção que torna dois seres um só sem deixar de ser dois existe no corpo, mas só é profunda quando antes se dá na alma. E esse diálogo muitas vezes é doído, e tem sempre de ser retomado e quase recomeçado. Nunca é algo totalmente tranquilo e reconquistado.

No caso da relação entre pessoas de culturas diferentes, de caminhos espirituais ou religiões diferentes e no nosso caso de idades diferentes, como que cria uma espécie de espaço de encontro no qual as pessoas se encontram como se fosse à meia distância. Quando estou com você é como se a carga da idade (e não digo isso como se fosse um peso negativo) diminuísse e a sua aumentasse  — e nos tornamos, ao mesmo tempo, todos jovens e anciãos.

Como se a amorosidade que nos envolve e embebeda fizesse o milagre de anular tudo o que impede a comunhão e assim as diferenças de um para o outro continuam existindo, mas a favor de nós e não como se fossem obstáculos contra a unidade. Claro que não é o comum encontrar um casal de amigos, engajados na agroecologia, João de 70 anos casado com Márcia de 36. Como todo mundo estranhou quando, nos anos 70, saíram o filme e a peça “Harold and Maude”. (No Brasil, “Ensina-me a viver”). Ver a Maude representada no filme pela Ruth Gordon, dos seus 80 anos e no teatro brasileiro pela Glória Menezes (80) e ver Harold encenado por um ator de 18 anos. Ver os dois tão opostos —  ele sério e com obsessão pela morte e ela aos 80 apaixonada pela vida e pela transgressão da sociedade burguesa já é uma lição de vida.

Ver aqueles dois que vivem na contramão de suas idades se encontrarem no encanto um pelo outro e se apaixonarem, não parece o normal. No entanto, é como parábola de uma ventania que derruba os muros das convenções habituais e simplesmente proclama a possibilidade universal desse diálogo amoroso, mesmo com as limitações humanas das fronteiras culturais e da idade.  Quando esse diálogo intercultural e intergeneracional se realiza, penso que aí ocorre o que expressa um poema que vi por aí na internet: “Quando eu flor, quando tu flores e ele flor, nós, flores seremos. Então, o mundo florescerá…”.

Vamos continuar esse diálogo por aí nos minutos do dia e da noite, nas quebradas da madrugada e nas taças sorvidas juntos do desejo  de caminhar em comum e da esperança de um mundo novo possível.

Jonathan Felix – 01/10/2017

Caminhar e se abrir ao diálogo intergeracional e intercultural é ser grato. Obrigado por cada palavra. A gente percebe que estamos conseguindo avançar no diálogo quando o outro consegue de maneira livre, com delicadeza, penetrar no nosso coração e silenciar a nossa razão. Isso é muito mais que uma linguagem sexual, é um encontro de almas, de reverencia ao que o outro é, e ao que nos tornamos juntos.

Cheguei a pouco do teatro, assisti uma peça que se chama “Certos Rapazes”, uma trama linda, profunda e com um olhar poético. Ao final um dos atores, o Guilherme Neves disse: “Nós precisamos ficar nus dos nossos preconceitos” e isso me fez pensar no nosso diálogo e nos dilemas que levantamos.

O que atrapalha os diálogos, sejam eles, entre adultos e jovens, entre crenças diferentes e outros, são as diversas roupas que usamos, que de tanto usar, não conseguimos enxergar o outro para além do que veste. Dialogar é ficar nu e isso que nos torna plenamente humanos.

Cresci muito desde o ano de 2014 que comecei a ter contato com outras religiões e dialogar por um outro mundo possível. Percebi que dialogar não com nos faz perder a identidade da nossa tradição com muitos dizem, e por isso tem medo de sair da Igreja, mas que o diálogo nos tornar plenamente humanos.

Que viver em comum-unidade é passar do eu para nós, e que nesse tempo de ódio, de encontros geracionais, é preciso ser radicalmente pelo diálogo.  Não finalizo nosso diálogo, busco as palavras de um profeta para os nossos dias: “Ultrapassa-te a ti mesmo a cada dia, a cada instante. Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do Mundo. Mais importante que escutar as palavras é adivinhar as angústias, sondar o mistério, escutar o silêncio. Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo.”  Dom Hélder Câmara

Abraços

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