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Juventude Espiritualista

Juventude Espiritualista

A minha busca por autoconhecimento e por um Deus que está em tudo e que transcendesse os problemas e dificuldades da mente humana começou cedo. Atiçada por minha curiosidade de querer descobrir sempre mais, pelo sentimento de que a vida podia ser bem melhor para todos e pela sensação de que o Grande Espírito me guiava, encontrei a Fraternidade Rainha da Floresta, uma instituição espiritualista ayahuasqueira da linha Unificada com influências da Umbanda, Xamanismo, Santo Daime e Centro de Cultura Cósmica da qual ainda participo. Lá são realizados trabalhos de cura, autoconhecimento, apometrias e resgates cármicos através das plantas de poder, há também trabalhos de bioconstrução, permacultura e produção de alimentos orgânicos, com sonhos e projetos para um futuro mais sustentável.

Há nove anos, conheci a Fraternidade por meio de uma grande amiga, e, desde então, senti fortemente o chamado para estar entre eles. Senti que, talvez ali, encontraria o que eu tanto procurava: sentido para a vida. Porém, eu era menor, tinha apenas 12 anos, e,  para participar dos rituais e celebrações da Fraternidade eu precisava do consentimento dos meus pais, que não permitiram minha participação, por desconhecerem a Fraternidade e as atividades ali realizadas. No inicio, a decisão deles me gerou revolta e frustração, mas depois aceitei e com resignação esperei até que eu completasse 18 anos e hoje percebo que foi fundamental esse tempo de espera. Um mês depois do meu aniversário de 18 anos comecei a frequentar a Fraternidade e tive o meu primeiro contato com a ayahuasca (medicina da floresta, que há milênios é consagrada pelos índios) também conhecida pelos nomes: daime, yagé, vegetal, vinho da alma, abuelita e entre outros.

A minha primeira experiência com a abuelita ayahuasca marcou minha vida, não há palavras que descreva. O que posso lhe dizer é que, a partir daí, tudo mudou. Para mim, a ayahuasca é um ser vivo e divino que, quando em contato com a nossa consciência, nos auxilia em um processo profundo de autoconhecimento. Hoje em dia, há mil maneiras de se conhecer, é certo, mas até hoje não encontrei nada que me proporcionasse tanto aprendizado quanto essa medicina sagrada. Já tive conexões profundas com o Divino e com o que chamamos de Eu Superior. Recebi instruções valiosíssimas que levo comigo até hoje, instruções que nos momentos mais difíceis me ajudaram e me reergueram. Mas, por um longo período, ela me mostrou também o que temo, o que negligencio em minhas relações e em meus comportamentos, o que preciso aprender para me desenvolver, o que preciso perdoar, aceitar e amar e, principalmente, do que eu preciso me auto responsabilizar para mudar. E é sempre assim em nossas vidas, não é mesmo? Não tem fim essa descoberta de nós mesmos. E, por isso, em muitos momentos não é fácil trilhar esse caminho de autoconhecimento com a medicina da floresta, pois é desafiante nos vermos do jeitinho que estamos, sem máscaras que nos esconda. Requer coragem e lembrança de si mesmo, mas a Ayauasca é um ser inteligente, que nos guia de acordo com os nossos próprios passos.

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E é como uma filosofia de vida que eu gosto de dizer que é mais prática do que teórica, pois nos impulsiona a praticar no dia a dia as instruções que recebemos nos rituais, através de intuições, por meio dos guias espirituais, ou até mesmo através do contato com nossas partes sombrias, que nos revelam onde precisamos efetuar mudanças. Venho aprendendo cada dia mais que de nada adianta tomar a bebida sagrada, sem uma prática diária constante de autoeducação.