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Reinado duplo de Xangô no Opo Afonjá em 2020

Reinado duplo de Xangô no Opo Afonjá em 2020
2 de janeiro de 2020 Washington Luís Santos Oliveira

Foto: Betto Jr/CORREIO

A espera para saber quem terá a responsabilidade na condução de uma das principais casas de candomblé do Brasil, o Ilê Axé Opo Afonjá acabou. Cerca de um ano após a morte de mãe Stella de Oxossi, uma das notáveis Yalorixás do país, que morreu aos 93 anos, foi  definido o nome da sucessora: Ana Verônica Bispo dos Santos , de 53 anos , mãe Ana de Xangô é quem vai ter a responsabilidade e a honra  de conduzir esse importante terreiro de tradição yorubá. Mãe Ana de Xangô é professora e tem 31 anos de santo e será a 6ª yalorixá a conduzir a casa.

O ritual para escolha da sucessora foi concluído com o jogo de búzios que revelou a vontade dos orixás para a sequência da casa e essa importante consulta ficou a cargo de pai Balbino, do terreiro Aganju. Quando Xangô revelou que assumiria a casa, se estabeleceu o início de um reinado duplo desse orixá ligado à justiça, senhor do fogo, do trovão.

O ano de 2020 será regido por Xangô e Yemanjá e estaremos todos sob a tutela deles. Xangô certamente exigirá de todos nós uma condução firme e deve premiar os esforços feitos com seriedade, trabalho e boas condutas. No caso do Opo Afonjá, esse ano de 2020 já se mostra singular por essa regência dupla: do ano, e do início do reinado como orí-maior(cabeça mandante)do ilê.

A importância de tratarmos dessa sucessão do trono de mãe Stella se dá por dois motivos básicos: uma por se tratar de uma yalorixá que tantos bons serviços prestou às tradições de matrizes africanas em geral, não se restringindo ao candomblé de ketu, mas inspirando e compartilhando saberes que ajudaram a valorizar nossa cultura e, segundo, por ser uma das mais importantes casas de candomblé no país, que conseguiu sob a liderança da sempre saudosa mãe Stella, o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Cabe a todos(as) que pertencem a alguma tradição de matrizes africanas e aos que respeitam e querem preservar a cultura afro-brasileira, em geral, torcer para que o reinado duplo de xangô que se estabelece, a partir de agora, no Ilê Axé Opo Afonjá conduzido por mãe Ana, seja de muito Axé, n’gunzo(como dizemos na tradição bantu). Que mãe Ana, a exemplo do que conseguiu Mãe Stella, leve adiante a bandeira dos orixás com fé, humildade e aceitação sendo instrumento da vontade dessas divindades que são a razão de existência do candomblé.

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