Vida e morte: concepções de pós-morte

Vida e morte: concepções de pós-morte
Rodrigo Oliveira Dos Santos 6 de janeiro de 2020

PLANO DE AULA

Classificação: Anos Finais do Ensino Fundamental (9º ano) e Ensino Médio

Foto: Didier

Abordar a temática da morte na escola é algo que vai provocar muitas reações, ainda mais em se tratando do pós-morte. Por isso, o professor precisa estar seguro e esclarecer como é difícil para todos nós passarmos e enfrentarmos a morte, que do ponto de vista biológico é tão natural entre os seres vivos, e do ponto de vista de psicológico faz parte do desenvolvimento humano.

Pensando nisso, essa abordagem deve ser multidisciplinar, o que garante a compreensão de vários aspectos envolvidos nesse processo, algo presente na Ciência da Religião.

Nesse sentido, abaixo segue indicativo de vídeos, filmes e obras de autores especialistas na temática, visando o enriquecimento das aulas e a participação dos alunos de forma satisfatória.

Bom estudo!

Justificativa

Para a maioria das pessoas no mundo a morte não é o fim da vida, ao mesmo tempo em que cresce o número de pessoas identificadas no mundo e no Brasil como sem-religião, o que não implica dizer que muitas delas não possuem crenças religiosas, ou seja, que acreditam em algo, porém não se vinculam mais a uma instituição ou comunidade religiosa, o que abre espaço para uma vivência religiosa independente e a adesão a outras espiritualidades.

Os sem-religião também incluem, em número menor, pessoas que não possuem crenças religiosas, e adotam referenciais científicos e filosóficos sobre a vida e a morte, o que não resulta em nenhum prejuízo na vida pública nem privada para essas pessoas.

O interessante aqui é destacar como essas concepções com base nas crenças religiosas (reencarnação, ressurreição, ancestralidade) e não religiosas (ateus, céticos, agnósticos, materialistas, entre outros) estão fortemente associadas à maneira de ser viver. Em outras palavras, a vida das pessoas, que incluem como elas vivem, vestem, falam, interagem, comem, bebem, relacionam-se, entre outros, estão embasadas no seu entendimento sobre vida e morte, as duas faces da mesma moeda.

Perceber essas relações dentro das elaborações religiosas e não-religiosas ajudam os alunos a se posicionarem conscientemente sobre a sua própria realidade, além de contribuir com acolhimento e respeito mútuo num momento tão delicado e difícil para aqueles que perdem, já que todos, cedo ou mais tarde, terão que passar por isso.

Objetivos

  • Estudar as diferentes concepções de pós-morte a partir dos referenciais religiosos e não-religiosos.
  • Estudar e perceber como as concepções de pós-morte estão associadas à organização da vida social, religiosa e não-religiosa das pessoas.

Metodologia

Por ser uma temática ainda interdita na escola e passível de várias interpretações, uma exposição inicial sobre o fim da vida pode ser bem produtiva para esse estudo. Essa exposição pode ser iniciada sobre a perda de um ente querido, amigo ou alguém especial, deixando-os sempre à vontade para realizar essa fala, encaminhando a discussão sobre o impacto e efeitos da perda, assim como aquilo que os ajudaram a lidar com a perda.

Em algum momento surgirá o apoio religioso, daí o momento oportuno para abordar a temática. Geralmente os alunos gostam de ouvir sobre a importância que as pessoas ocupam na sua vida e a ameaça da sua perda iminente, pois na maioria dos casos eles deixam de aproveitar os momentos em vida que tem com os mesmos.

De posse disso, o uso de textos sobre as concepções de pós-morte, com imagens, ilustrações e dados, pois ajudam bastante no estudo. O professor pode também usar recursos audiovisuais, como filmes e documentários, assim como visitações a espaços religiosos e laicos como os cemitérios.

Para aprofundamento do professor

De modo geral, os livros sobre mitologia trazem narrativas sobre essas ideias e são bem estimados pelos alunos. Não são tão difíceis de encontrar, salvo das religiões indígenas, africanas e asiáticas, apesar de comporem a formação cultural do país, ainda são bem restritas. Daí, as obras de Mircea Eliade (Tratado da história das religiões, História das crenças e das ideias religiosas, entre outros), Reginaldo Prandi (Mitologia dos orixás, Contos e lendas da Amazônia, Contos e lendas afro-brasileiros, entre outros).

A coleção todos os jeitos de crer da editora ática, contempla essa discussão nas suas diferentes concepções religiosas e não-religiosas de forma bem interessante.

Os filmes são inúmeros, com temáticas sobre ressurreição (Ressurreição, lançado em 2016); morte e imortalidade (Harry Potter, relíquias da morte parte I e II, lançados em 2010 e 2011); deuses da morte (Vingadores: guerra infinita, lançado em 2018); fim do mundo, catástrofe (2012, lançado em 2009; Thor Ragnarok, lançado em 2017); ateísmo, agnosticismo (Prometheus, lançado em 2012); reencarnação (A vida e morte de Charlie, lançado em 2011); ancestralidade (Pantera Negra, lançado em 2018).

Nem sempre a concepção de pós-morte virá de forma explícita no filme, mas é um bom começo para aqueles que buscam aprender cada vez mais sobre essa temática que nos torna mais conscientes e responsáveis pela vida que temos, por isso, vamos aproveitar essas dicas.

Referências

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ELIADE, Mircea. História das ideias e crenças religiosas: da idade da pedra aos mistérios de Elêusis. Rio de Janeiro: Zahar, 2010.
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SCHUMACHER, B. N. Confrontos com a morte. Trad. Lúcia Pereira de Souza. São Paulo: Loyola, 2009.