Apresentação Edição Jurema Sagrada

Apresentação Edição Jurema Sagrada
28 de junho de 2019 Redação

Apresentação 11ª Edição Jurema Sagrada

Foto de Pedro Stoekcli Pires.

A 11ª edição da Revista Senso tem como tema “Jurema Sagrada: religião e racismo histórico”. A escolha deste tema, é fundamental para desenvolvermos uma aprofundada análise crítica sobre os motivos que colocaram a Jurema, religião de matriz indígena do Nordeste do Brasil, em um tipo de ostracismo específico, que perpassa pelo preconceito de classe, o racismo epistemológico e religioso, e, a “desatenção” dos pesquisadorxs sobre a presença desta religião tão resiliente do Nordeste.

Nesta edição, objetivamos ampliar os olhares e as diversas formas de abordagem do tema, contribuindo para o aumento de conhecimento deste conjunto de tradições a partir das diversas vozes dxs pesquisadorxs e sacerdotxs desta religião, que nos últimos anos, publicaram teses, dissertações, tc’s e que também produzem massa crítica via redes sociais sobre esta quase desconhecida e plural temática.

Esta publicação, tem a missão de tornar o tema mais acessível à todas e todos, trazendo para o centro do debate das ciências da religião, da história, da antropologia, da sociologia e do debate livre do povo de terreiro (que hoje experiencia um tipo inovador de preservação da tradição oral, através da tradição escrita e do áudio visual), um conjunto de informações que permitam aos leitorxs, vislumbrar informações pouco conhecidas e discussões qualificadas sobre racismo e estratégias de etnocídio histórico, que a Jurema sofre ainda, no campo acadêmico e no campo político nacional.

Como ponto de partida deste debate e prospecção científico-tradicional, nos pautaremos na Juremologia (L’ODÒ, 2017), como metodologia libertadora, que impulsiona os estudos entorno da Jurema, para um foco centrado em si mesma, antenada com todas formas de análises científicas, mas que em essência, quer buscar uma resposta para a legitimação de sua existência no mundo científico, com intuito de falar para o restante do mundo, que tipo de povo tradicional somos, que tipo de cosmovisão temos e qual diálogo queremos ter com o mundo a partir de nossa própria linguagem.

Seus rituais, seu panteão, seus terreiros, os juremeiros e juremeiras, a história e a repressão, a culinária, a concepção cosmológica e sua cosmogonia, sua hierarquia e estética, sua relação com o mundo e com a submissão de religião dos oprimidos, formam um conjuntos de elementos a serem explorados nesta edição, que oferecerá sua leitura da vida, que adentrará seus silêncios, dores e alegrias. O rodar das saias coloridas, a “triunfagem” da fumaça, o recado dos Senhores Mestres, as “mundrugagens” e catimbós desse povo, aparecerão aqui com beleza e respeito à tantas chagas causadas por nossa sociedade do capital e da intolerância. Construindo sentidos, a Senso pretende dar visibilidade Jurema Sagrada/Catimbó na história das religiões, correspondendo à realidade dos fatos a partir da concretude da existência.