A relação de gêneros e o dia da mulher

A relação de gêneros e o dia da mulher
4 de março de 2019 Marcelo Barros

A relação de gêneros e o dia da mulher

Por Marcelo Barros

Foto: Rafael Stedile – Brasil de Fato

O dia internacional da mulher (08 de março) recorda que em Nova York, em 1857, um grupo de mulheres foi assassinado por reivindicar melhores condições salariais e direito ao voto. Hoje, em quase todo o mundo, a igualdade legal entre homem e mulher está garantida. No entanto, ainda há muitos preconceitos, violências e assassinatos, nos quais a vítima é mulher e sofre violência por ser mulher.

Atualmente, na sociedade e nas Igrejas, se espalham boatos sobre o que chamam de “ideologia de gênero”. Inventam isso para impedir a discussão do problema real e uma justa relação de gêneros. Para isso, se deve compreender a distinção entre sexo e gênero. Sexo é o que nos diferencia em termos anatômicos e fisiológicos. Gênero é categoria social. É aquilo que diferencia socialmente as pessoas. Identidade de gênero é a maneira como alguém se identifica na sociedade. Nem sempre a identidade de gênero corresponde ao sexo fisiológico. Alguém pode ter órgãos sexuais masculinos e se sentir como mulher. Ou vice-versa. A orientação sexual é outra coisa e pode ser diversificada (homo, hetero ou bissexual). Por causa disso, ninguém deve ser discriminado ou perseguido. A humanidade só construirá sua felicidade se respeitar o direito à diversidade de gêneros e a dignidade de todas as pessoas, sejam de que gênero forem e seja qual for sua orientação sexual. Esse direito é causa comum a mulheres e homens.

As Igrejas cristãs e outras religiões têm uma dívida histórica e moral com a causa da igualdade social e das relações de gênero. Em nome de Deus, a maioria das Igrejas e religiões têm sido cúmplices do patriarcalismo e do moralismo vigente. Usam o nome divino para legitimar preconceitos sociais e injustos. Ao contrário, quem se deixa guiar pelo Espírito, qualquer que seja a sua tradição religiosa, sabe que a desigualdade ou discriminação, seja de gênero, racial ou social são anti-espirituais. Deus é Amor e nos cria diferentes e para sermos o que somos. Sobre a causa da igualdade de gêneros e a promoção da mulher, recordemos o que afirmou sua santidade, o Dalai Lama: “Todos nós temos de desenvolver a capacidade de empatia recíproca que, interiormente, cada pessoa possui. É a incapacidade de suportar o sofrimento da outra pessoa. Só a solidariedade compassiva salvará o mundo”.   

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