A diversidade religiosa e a revolução social

A diversidade religiosa e a revolução social
21 de janeiro de 2019 Marcelo Barros

A diversidade religiosa e a revolução social

Por Marcelo Barros

Fernanda Scherer- Diversidade religiosa e a revolução social

Fernanda Scherer-  www.mobilizacao.org

No Brasil, a cada ano, o 21 de janeiro é comemorado como “o dia nacional de combate à intolerância religiosa”. Essa data foi criada pelo presidente Lula, através da lei federal n. 11.635, no final de 2007. Ao escolher essa data, se quis homenagear a Mãe Gilda, Ialorixá do Axé Abassá de Ogum em Salvador que, morreu no dia 21 de janeiro de 2000, vítima de perseguição e ataque de um grupo cristão fundamentalista que invadiu o templo do Candomblé, desrespeitou os símbolos sagrados ali representados e ofendeu gravemente a mãe de santo.

Em nossos dias, não só a intolerância religiosa tem aumentado, como é menos combatida. Até autoridades fazem declarações que denotam intolerância e discriminação contra grupos culturais e religiosos diferentes da cultura dominante. A cada dia, em nosso país, se registram casos de discriminações e perseguições a alguns grupos religiosos, principalmente, das religiões afrodescendentes. Os ataques e atos de violência religiosa não são praticados por ateus, contrários à religião. São cometidos por grupos que se dizem cristãos e agem em nome de Deus. Agem assim apoiados em uma leitura fanática de alguns textos bíblicos para justificar uma imagem de Deus cruel, violento e intolerante. Ainda bem que, até aqui, esses grupos neopentecostais e também católicos de linha carismática não descobriram ainda que os mesmos livros da Bíblia que mandam perseguir e destruir cultos de outras religiões também ordenam apedrejar mulheres adúlteras, pessoas que transem com animais ou simplesmente que não respeitem o sábado. O que eles farão quando descobrirem que as mesmas leis bíblicas que condenam outros cultos permitem a escravidão de estrangeiros e mandam vender pessoas como escravas para saldar dívidas não pagas? O fundamentalismo impede religiosos que leem textos sagrados ao pé da letra de distinguir a lei de Deus de costumes culturais da Ásia antiga.

Atualmente, no mundo, a diversidade cultural e religiosa é, não somente um fato que, queiramos ou não, se impõe à humanidade. É principalmente uma graça divina e bênção para as tradições religiosas. Deus revela o seu amor e o seu projeto para a humanidade, através do diálogo e da convivência entre diversos caminhos religiosos a serviço da paz, da justiça e do cuidado com a Terra e a natureza.