Religiões e Direitos Humanos: conferência de religiões sobre os direitos humanos

Religiões e Direitos Humanos: conferência de religiões sobre os direitos humanos
6 de fevereiro de 2018 Sandson Rotterdan

Religiões e Direitos Humanos: conferência de religiões sobre os direitos humanos

Elaborado pelo Prof. Sandson Rotterdan

Classificação: Ensino Fundamental II e Médio

© Daan Stevens

© Daan Stevens

Justificativa

Vivemos em um tempo de secularização bastante forte em âmbito mundial, apesar de no Brasil vermos que bancadas religiosas no parlamento querem impor suas pautas como leis para todo o Estado, leis essas que, não poucas vezes, são negações dos Direitos Humanos. Em contrapartida, não são poucos os ativistas de Direitos Humanos que alijam as religiões e pessoas religiosas da luta pelo reconhecimento dos direitos. Assim, faz-se necessário reconhecer que o fundamento dos direitos humanos, que é afirmação da igualdade e dignidade da pessoa humana, encontra suas raízes, também, nas tradições religiosas.

Objetivos

  • Reconhecer a dignidade da pessoa humana;
  • Discutir valores religiosos que afirmam a igualdade da pessoa humana;
  • Produzir um manifesto inter-religioso a favor dos direitos humanos.

Metodologia

Dividir a sala em grupos, a medida do possível, respeitando a confissão religiosa dos alunos. Caso os alunos queiram, podem compor outro grupo, que não o de sua confissão religiosa. Sugerimos aqui cinco grupos: cristianismo, judaísmo, islamismo, espiritismo e candomblé, seja pelo número de filiações no Brasil, seja pela importância geopolítica.

Cada grupo deverá pesquisar, para a próxima aula, afirmações acerca da igualdade fundamental entre os seres humanos em cada uma das tradições religiosas. Sugerimos aqui

Para judaísmo Lv 19,33; Cristianismo Lc 10,25-37; Islamismo Surata 49:13; Espiritismo Livro dos Espíritos 877,878,879; o Candomblé se sustenta, sobretudo, por tradições orais mas pode-se recorrer ao livro de Reginaldo Prandi, A mitologia dos Orixas. Ali se pode destacar a criação do ser humano, por Obatalá, como possibilidade de afirmação da igualdade entre os seres humanos. Sugerimos, também que se dialogue com pessoas candomblecistas, dado o caráter oral dessa tradição. Para aprofundamento, pode-se recorrer ao volume 3 da coleção Todos os jeitos de crer, de Dora Incontri e Alessandri Brigheto.

Como síntese da pesquisa, além das fontes o educador pode pedir aos educandos que tragam anotadas suas compreensões sobre as fontes pesquisadas, sobre a influencia das religiões na construção de valores e de direitos humanos. É necessário que os alunos relacionem os valores das religiões à Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Em aula, o educador deixa que os grupos partilhem entre seus membros os resultados da pesquisa, pedindo a todos que façam uma síntese comum. Essa síntese comum servirá como documento de trabalho do passo posterior.

Representantes dos grupos se reúnem para preparar o documento de trabalho da conferência de religiões pelos Direitos Humanos. Este instrumento constará da compreensão de cada tradição sobre os Direitos Humanos e a dignidade da pessoa. Feito o documento de trabalho, será encaminhado a cada grupo.

A Conferência

Na conferência, cada grupo tem um tempo de fala e deve sugerir pistas de ação para a afirmação dos direitos humanos. Essas pistas devem ser debatidas entre os grupos até se chegar a uma síntese. A partir dessa síntese e do documento de trabalho proposto, faz-se um documento final, promulgado pela conferência. As pistas de ação podem ser colocadas em prática na escola. A conferência poderá ser observada por outras séries e salas.