Reforma e Juventude: Onde estão nossos Jovens?

Reforma e Juventude: Onde estão nossos Jovens?
20 de outubro de 2017 Pr. Bruno Barroso

Reforma e Juventude: Onde estão nossos Jovens?

Por Pr. Bruno Barroso

O texto de João, em sua primeira carta, ainda ecoa na linha do tempo. “Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno.(…) Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno”.

A força da juventude é o imperativo da igreja contra o tempo, o mal e o pecado e é a força da pregação que avança nos rincões do mundo.

Fora assim na Reforma Protestante. Temos nossos grandes reformadores como exemplo de inconformidade, elemento típico da juventude.  E é assim que devem ser lembrados, como jovens experimentados, muitas vezes martirizados, mas pelejando pela fé evangélica.

Ao celebrar 500 anos da Reforma Protestante, devemos ter em nosso pensamento a lembrança da luta contra as heresias que assolavam a Igreja. Nos parece hoje que o dever de ressuscitar este espírito se faz necessário e as espadas devem ser afiadas novamente para bramirem contra os males que roubam a fé e impedem a pregação genuína do Evangelho em nossa geração.

Dos nossos reformadores temos a história, um legado deixado que pouco refletimos em quando se deu. Todos iniciados na juventude. Assim, Deus usou o ímpeto jovial para que nesta força a Igreja avançasse sobre um tempo de escuridão que a cristandade vivia.

João Huss, Zuínglio, Tyndale, Melanchton, Calvino, Knox. Alguns dos gigantes que alcançados em sua juventude fizeram de suas vidas um lumieiro para a humanidade.

Temos a ideia que todos desbravaram e guerrearam em grandes discussões e incursões contra a igreja católica Romana, quase como mártires entregaram sua vida pelo Evangelho de maneira romântica. Precisamos trazer a juventude dos reformadores para mostrarmos aos nossos jovens que a dedicação à Deus é possível dentro de cada realidade cotidiana.

Melanchton por exemplo, aluno de Lutero aos 22 anos dedicara sua vida aos estudos e como um discreto reformador dedicou sua inteligência ao serviço de Deus.

João Calvino, desde jovem convertido, fez de sua vida uma ferramenta de Deus para a cidade de Genebra e dedicou sua frágil vida a exposição das Escrituras e pastoreio dos cidadãos.

São palavras de Calvino:

“Minha mente, que a despeito de minha juventude, estivera por demais empedernida em tais assuntos, agora estava preparada para uma atenção séria. Por uma súbita conversão , Deus transformou-a e trouxe-a à docilidade”. 1

Tal busca deve ser então à dos nossos jovens, deste século, de nossas igrejas. É deles o chamado à luta por este tempo. Não devem mais, portanto, estaremà mercê das próprias vontades mas fazerem de sua vida um significado às gerações vindouras.

Tal como fora com os jovens reformadores deve ser a vida de nossos jovens hoje. Lutar contra o “zeitgeist”2, contra as forças que tendem nossa juventude a alienação ou mesmo às militâncias vazias de sentido. Nosso sentido ainda continua sendo a obediência à Palavra.

Ficou comum vermos jovens no alto de sua força gastarem suas vidas no entretenimento ou se envolverem na luta egoísta pelo enriquecimento efêmero.

Criamos o termo “jovem adulto” talvez para podermos postergar ainda mais a juventude como simbologia de jovialidade pueril, imaturidade ou mesmo curtimos o pouco que resta da vida sem maiores obrigações. Os jovens continuam na adolescência com seus eternos video-games. São tardios para as responsabilidades da vida adulta e como “Peter Pan” querem apenas a curtição e a alegria do tempo vivido.

Jovens, fomos chamados a usarmos de nossas forças à pregação do Evangelho, gastarmos nossas mentes nas letras de sua Revelação e nossas vozes com toda sua potência para alcançarmos os perdidos deste tempo.

Fica o exemplo dos reformadores. Jovens Reformadores.


Referências

1 Servos de Deus. Espiritualiade e teologia na história da Igreja.Editora Fiel. FERREIRA, Franklin – pg 216.
2 é um termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo.