Juventude e Religião: o que há de novo?

Juventude e Religião: o que há de novo?
9 de outubro de 2017 Jonathan Felix

EDITORIAL

Juventude e religião: o que há de novo?

Caro leitor/a,

Nossa 4ª edição traz o tema “Juventudes e Religião” e questiona: O que teríamos de novo nesse assunto? Falar de Juventude ou Juventudes?  E o que isso tem haver com religião? Pertença ou pertenças? Espiritualidade ou espiritualidades? Velho ou novo? Quem são os sujeitos que compõe esse grande mosaico das juventudes brasileiras?

Durante muito tempo, compreendeu-se as juventudes no singular, como se fossem uma, o que não representava essa diversidade, pois as juventudes são muitas. No Brasil, são considerados/as jovens as pessoas entre 15 e 29 anos, que são mais de um quarto da população brasileira, e isso significa 51,3 milhões de pessoas jovens. Entender esse universo juvenil é um desafio, maior ainda é compreender o Senso Religioso Contemporâneo dessas juventudes. A matéria de capa, escrita por Regina Novaes, levanta questões e abre para olhares múltiplos, onde tal compreensão só é possível se entendermos a “vida religiosa” e “seus pertencimentos” dos e das jovens que levam em conta as características desse tempo e suas inter-relações entre territórios e redes.

A partir de distintos lugares, a edição traz vozes de jovens de matrizes religiosas, que são algumas das múltiplas vozes que nos fornecem elementos essenciais que, combinados, nos possibilitam compreender esse grande mosaico do senso religioso das juventudes.

Abrimos com a coluna das Entrelinhas, que nos leva a pensar questões sobre aprendizado entre jovens e mais velhos, sobre as perspectivas e continuidade das tradições. Logo em seguida, Edoarda apresenta um ecumenismo para além das instituições, resgate da palavra oikoumene (oikos) como “casa habitável, casa comum” e o desafio necessário para tempos sedentos de diálogo. Alexandre Magno, jovem candomblecista, aborda os desafios dos jovens candomblecista, mostrando que não é questão de ser jovens descolados e afirmar: “Candomblé não é moda! É ancestralidade e continuidade. ”

A entrevista é com a Aurea Carolina, a vereadora mais votada da capital mineira, que de maneira livre, dialoga com as temáticas “Juventudes, Religião e Política”, desafios, ambiguidades e dilemas dessa fase sobre a perspectiva das políticas públicas. Você também irá conferir texto de dois especialistas, o de Ricardo Alvarenga, abordando sobre “Juventudes e religiosidade em tempo de mídias sociais digitais” e do Ailton Dias sobre “Sexualidade, religião e as restrições do Amor”.

Sem pretensão de exaurir o nosso assunto, dialoguei com o meu amigo Monge Marcelo Barros sobre os dilemas intergeracionais e do diálogo entre jovens e adultos.  O nosso grande desafio para esse tempo é perceber a beleza que aflora de baixo pra cima nesse tempo, como cantou o saudoso Vander Lee na música “Alma Nu” : “Deixa-me perder a hora / Pra ter tempo de encontrar a rima / Ver o mundo de dentro pra fora/ E a beleza que aflora de baixo pra cima”