Não somente outros 500 anos, mas, também outras ideias

Não somente outros 500 anos, mas, também outras ideias
9 de junho de 2017 Sandson Rotterdan

Não somente outros 500 anos, mas, também outras ideias

Em um país majoritariamente cristão e esse cristianismo sendo de maioria católica, celebrar a Reforma não é algo tão tranquilo quanto parece. Mesmo sendo as igrejas evangélicas um dos grupos religiosos que mais cresce no Brasil, segundo os dados do IBGE, ainda persiste certa intolerância religiosa com grupos evangélicos. Não obstante essa intolerância a reforma cresce a passos largos no Brasil e, aqui, toma seus contornos próprios. Ser protestante no Brasil pode significar muita coisa, os frutos que a Reforma produziu no Brasil são bastante diversos.

A Reforma iniciada por Lutero pretendeu dar outras formas ao cristianismo, à sua época, extremamente vendido ao poder, algo que não está muito distante de nossa maneira atual de ser cristãos. O cristianismo, não obstante a Reforma, continua desfilando com roupa de gala nos bailes dos Impérios, fomentando ódio e intolerância. Celebrar esses 500 anos da Reforma, talvez seja motivo para que os cristãos questionem as formas atuais de ser cristãos e, assim, reformar essas formas que construímos. Reformar a reforma seria chamar a atenção para um povo que necessita de constante reforma em suas práticas religiosas.

A segunda edição da Revista Senso pretende debater, sob diversos olhares e perspectivas, os frutos que a Reforma legou ao cristianismo e à sociedade e propõe o questionamento, ao findar meio milênio da afixação das noventa e cinco teses por parte de Lutero, não há a necessidade de reformar a Reforma, para que tenhamos outros 500. Não somente outros 500 anos, mas, também outras ideias, outros cristianismos, outras práxis, enraizadas na necessidade de uma revolução de o que é ser ser humano.

Novamente a revista buscou dialogar com as diversas áreas do conhecimento, as diversas tradições cristãs e outras matrizes religiosas para trazer o debate acerca do senso religioso contemporâneo e de como a nossa sociedade se relaciona com a Reforma e os diversos frutos que ela produziu ao longo dos seus cinco séculos.

Reformar a reforma (?) é  a  provocação de fundo dessa nova edição e que perpassa nossos artigos. Convidamos às leitoras e leitores que se aventurem a reformar, revolucionar perspectivas sem dar uma única palavra que seja final.

Que não nos falte coragem para dar outras formas.

Que a paz esteja com todas.