“Deixa o Erê Viver”: um canto pela Juventude Negra

“Deixa o Erê Viver”: um canto pela Juventude Negra
24 de maio de 2017 Douglas Caputo

“Deixa o Erê Viver”: um canto pela Juventude Negra

Por Douglas Caputo

© Canal YouTube: Nós Temos Um Sonho #nostemosumsonho

Projeto lança música e clipe com participação de nomes da música mineira como Sérgio Pererê, Mauricio Tizumba e Vander Lee

“Nós Temos um sonho” é o nome do projeto coletivo de artistas negros de Belo Horizonte, cujo nome é inspirado no célebre discurso do reverendo Martin Luther King, um dos principais nomes da luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos. O encontro de músicos representantes de gêneros diversos da música, como o samba, o soul, reggae e o rap, dentre outros, resultou no videoclipe “Deixa o Erê Viver”, cuja mensagem denuncia a violência contra a comunidade negra ao mesmo tempo em que traz um olhar de esperança tão necessário a esses tempos.

A música e o vídeo, gravados em fevereiro de 2016, contaram com participações de nomes como Lu Daiola (idealizadora do projeto), Richard Neves (produção musical), Sergio Pererê (composição e direção musical), Tamara Franklin e Douglas Din (composição) e as vozes de Celso Moretti, Dokttor Bhu e Shabê, Josi Lopes, Michelle Oliveira (Cromossmo Africano), Roger Deff (Julgamento),  Izaque Bohr, Mandruvá, Denominado Chu,  Bárbara Hannelore, Lana Black, Marcela Rodrigues (Berimbrown), Polly Honorato,  Eda Costa, Guilherme Ventura, Maurício Tizumba e Vander Lee, falecido em agosto deste ano.

No dia 03 de dezembro de 2016, foi realizada uma celebração que contou com pockets shows dos artistas envolvidos e o lançamento oficial do vídeo ocorreu no dia  4 de dezembro na Fanpage www.facebook.com/nostemosumsonho.

© Canal YouTube: Nós Temos Um Sonho #nostemosumsonho

Sonhos e inspirações

Inspirar paz, união e transpirar arte e luta. Este é o propósito do coletivo de artistas “Nós temos um sonho”, projeto idealizado pela compositora e intérprete, Lu Daiola.

“O projeto ‘Nós temos um sonho’ nasce do mesmo desejo de justiça, liberdade e igualdade de direitos. É a arte como ato de resistência contra a discriminação da população negra e os efeitos decorrentes dessa marginalização”, conta a artista.

Segundo ela, a ideia veio do exemplo e das palavras de Martin Luther King, que liderou nos anos de 1960, nos EUA, uma grande batalha por direitos civis, encorajando a comunidade negra à luta pela igualdade racial por meio de combates pacíficos.

Passo inicial

Lu Daiola conta que a ideia veio a partir da notícia da chacina dos cinco jovens no subúrbio do Rio de janeiro, em 2015. “Vi um relato da Tamara Franklin nas redes sociais, um desabafo, e me incomodaram. Por isso quis fazer algo para falar sobre isso. Convidei mais pessoas que também se incomodam para falarmos juntos. Assim surgiu o clipe, baseado nessa ideia de como os tributos musicais alavancam visibilidade sobre essas questões. Um protesto artístico”, diz.

O lançamento do clipe “Deixe o Erê Viver” é a primeira ação do projeto, que tem Sérgio Pererê na direção musical e na composição da música, feita em parceria com Tamara Franklin e Douglas Din. “A canção denuncia os crimes sedimentados e naturalizados num cotidiano de perseguição silenciosa, cravado por balas, que impedem nossos filhos de voltarem para casa. Queremos fortalecer um grito de amor. Esta iniciativa é uma resposta dos artistas ao genocídio de jovens negros e ao racismo institucionalizado”, explica Lu Daiola.

Segundo levantamento do “Mapa da Violência de 2014”, elaborado pela

Secretaria Nacional de Juventude e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, cerca de 56 mil pessoas foram assassinadas em 2012, sendo 30 mil jovens entre 15 e 29 anos; destes, 77% eram jovens negros, moradores das periferias de áreas metropolitanas. O levantamento da Anistia Internacional também confirma essa preocupante estatística, mostrando que mais de 23 mil jovens negros são assassinados por ano no Brasil.

O projeto “Nós temos um sonho” tem o objetivo de promover, além do clipe e campanha nas redes sociais, outras ações de cunho social e de formação cultural. “Queremos usar a arte como arma de transformação social, uma vez que ela tem o poder de tocar e sensibilizar os corações. A união de todos é muito importante, por isso contamos com a presença de artistas, políticos e pessoas engajadas nesta luta para fortalecer a nossa mensagem de paz e amor”, finaliza Lu Daiola.

Esforço coletivo

A causa ganhou adesão de muitos artistas da cidade, que contribuíram para a sua realização, independente do grau de visibilidade de suas carreiras. Mestre Negoativo, da banda Berinbrown, dirigiu o vídeo com sua produtora, a Lamparina Filmes, o tecladista Richard Neves (hoje integrante do Pato Fu) ficou responsável pela produção musical e referências como Maurício Tizumba e Celso Moretti, entre outros, reforçaram o canto com suas vozes. O vídeo ganha um tom especial pela participação do cantor e compositor Vander Lee, artista falecido em agosto de 2016, e que em diversas ocasiões colocou sua música a favor das causas populares.

Dados Técnicos

Mestre Negoativo
Direção Musical: Sérgio Pererê
Produção Musical: Richard Neves
Técnico de som- Vozes: Evandro Lopes (Estúdio Sonhos e Sons)
Mixagem: Helton Lima (Estúdio Na trilha)
Masterização: Marcelinho Guerra (Locomotiva)
Ficha Técnica Clipe:
Produzido por: Lamparina Filmes
Direção de vídeo/Edição de imagens: Mestre Negoativo
Assistência de direção : Ronilson Silva
Direção de fotografia: Danilo Candombe
Fotografia: Maxwell Vilela
Estúdio Sonhos e Sons: Marcus Vianna

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