Akinyàlé Elias fala sobre a posse do Fórum Inter-Religioso do Estado de São Paulo

Akinyàlé Elias fala sobre a posse do Fórum Inter-Religioso do Estado de São Paulo
12 de maio de 2017 Redação

Akinyàlé Elias fala sobre a posse do Fórum Inter-Religioso do Estado de São Paulo

por Revista Senso

© Governo do Estado de São Paulo

No último dia 27 de abril, ocorreu a posse dos membros do Fórum Inter-Religioso para uma Cultura de Paz e Liberdade de Crença no Palácio dos Bandeirantes, edifício-sede do Governo do Estado de São Paulo.  O estado institucionalizou um espaço permanente e democrático de diálogo inter-religioso. Akinyàlé, membro eleito do grupo, falou com exclusividade para a Revista Senso sobre este importante momento:

Conte-nos um pouco sobre sua caminhada religiosa.

Minha caminhada religiosa começa desde criança, onde via e falava com pessoas já desencarnadas, o que foi aumentando com o passar dos anos, sempre apaixonado pela natureza e tudo que é místico da beleza dos Òrìsà. Iniciei-me anos depois no candomblé e no culto de Ifá-Ọ̀rúnmìlà, sempre ajudando e me inteirando nos assuntos voltados ao campo religioso.

© Governo do Estado de São Paulo

Qual a importância deste grupo no estado de São Paulo?

Este grupo é importante para que as pessoas possam conhecer seus direitos e outras culturas religiosas, para quando acontecer situações de violência e intolerância: religiosa, racial, cultural e social. O estado de São Paulo tem, agora, pessoas preparadas, para melhor atender aos mais diversos casos que surgirem, auxiliando na criação de políticas públicas que respeitem a pluralidade presente na sociedade.

Como surgiu e como funciona o Fórum Inter-religioso?

A ideia da criação do fórum surgiu de um encontro no qual líderes de matriz africana se reuniram para discutir a intolerância religiosa e formas de combater a mesma, em 2005, na 1ª Conferência de Igualdade Racial.  O grupo foi instituído pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, após um projeto de lei que foi aprovado na Assembleia Legislativa, em 2009. Em 2013, o governador sancionou a lei estadual nº 14.947/2013 que regulamenta a criação deste grupo.

Quais os desafios enfrentados nesta luta contra a intolerância religiosa?

São muitos, entre eles se destaca a informação, educação e conhecimentos dos diversos grupos religiosos combatendo o preconceito e racismo.

Como é a relação entre os membros do grupo, tendo visões tão distintas sobre diversos assuntos?

A relação dos membros é de um conhecer o outro, sem discutir os dogmas ou crença de cada grupo religioso, respeitando os mesmos dentro das leis brasileiras que garantem a Laicidade [do Estado].

Quais as denominações religiosas representadas?

O grupo conta com representantes anglicanos, ateus e agnósticos, Batistas, Bruxos e magos, Budistas, Candomblé e suas diferentes nações, Culto de ifá, Hare Krishna, Islamismo, Judaísmo, Umbanda e outras denominações cristãs. O Fórum é composto por 48 membros, sendo dois deles da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e 28 representantes destas diversas expressões religiosas. Os demais representam a OAB, o Ministério Público, universidades e diversas instituições e organizações não governamentais que atuam na proteção e defesa dos direitos humanos e na promoção de uma cultura de paz como um todo.

O que o motiva nesta luta pelo respeito às diferenças?

A Liberdade sócio-religiosa, racial e cultural para toda a nossa sociedade, formando uma única família sem preconceito de raça, cor, identidade religiosa ou não e gênero.

A sociedade civil pode acompanhar o fórum ?

A sociedade civil pode e deve participar não somente com denúncias, mas, também para conhecer e apoiar o trabalho do fórum inter-religioso, indo à Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania.


¹ Elias Ponte de Cerqueira, Bacharel em Turismo, iniciado no candomblé grupo Nago Igbomina Male em 2009, e no Culto a Ifá também em 2009, aonde recebi o nome de Akinyàlé, ocupando o cargo religioso de Sacerdote Awofakan Akinyàlé. Membro do Fórum Inter-religioso do Estado de São Paulo na secretaria da justiça e da defesa da cidadania, representando o Culto a Ifá, conselheiro na FOESP, gestor no grupo de trabalho no Ministério da Justiça em Brasília, representando o estado de São Paulo junto às casas de matriz afro-brasileira. Atuante em trabalhos sociais em diversas comunidades.